quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Quando está frio no tempo do frio ...


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável
 Porque para o meu ser adequado à existência das coisas 
O natural é o agradável só por ser natural.
 Aceito as dificuldades da vida porque são o destino
 Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
 Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita
 E encontra uma alegria no fato de aceitar —
 No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.
 Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
 Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
 O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço
 Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime
 Da mesma inevitável exterioridade a mim
Que o calor da terra no alto do Verão
 E o frio da terra no cimo do Inverno.
 Aceito por personalidade.
 Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos
Mas nunca ao erro de querer compreender demais
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
 Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

 Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
 Heterónimo de Fernando Pessoa

sábado, 13 de janeiro de 2018

Maria Dilar _ Fronteira de Coragem


Cada vez gosto mais de ser português
 e cada vez tenho mais orgulho no meu país.
 É-me insuportável ouvir dizer
 «somos um país pequeno e periférico»
 Para mim Portugal é central e muito grande.

António Lobo Antunes

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018


Os animais selvagens nunca matam por divertimento.
O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes
 são divertidas por si.

 James Froude

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Chove...


Chove.
Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego
 Chove.
O céu dorme.
Quando a alma é viúva
 Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove.
 Meu ser (quem sou) renego…
 Tão calma é a chuva que se solta no ar
 (Nem parece de nuvens) que parece
 Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove.
Nada apetece…
 Não paira vento, não há céu que eu sinta.
 Chove longínqua e indistintamente
 Como uma coisa certa que nos minta
 Como um grande desejo que nos mente.
Chove.
 Nada em mim sente…

 Fernando Pessoa

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Plante...


Plante.
 Prepare a terra com carinho
semeie com doçura, regue com devoção
 proteja com amor, e sinta-se feliz em fazer tudo isto
 porque nesta vida a colheita nem sempre será tua,
 mas a acção de plantar, em si, é que consiste no verdadeiro bem.

 Augusto Branco

 Gallery Art New York
 Albert Anker 1831-1910

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

Lágrima

· "Se um dia tiver que escolher entre uma lágrima,
 um sorriso e um olhar,
 escolha a lágrima, pois o sorriso pode ser falso
 o olhar, passageiro
 e a lágrima, por mais breve que seja, é verdadeira."

 Desconhecido

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Amamos tão pouco.


amamos tão pouco e temos tanto para amar
morrer é não estar onde o mar nos pode levar
onde o céu se deixa tocar onde a estrela
começa a queimar morrer
 e não ser amante de barco à vela
menina a sorrir à janela rosa, botão, jardim, flor de lotus e jasmim
Poema de Florbela
amamos tão pouco neste mundo
quase louco
 e temos tanto para amar
morrer é não ficar deitada ao sol na areia
é não acreditar na verdade da sereia
morrer é não sonhar com o amor
 que há para dar à nossa volta,
 em todo o lugar
 em cada cantinho da ter
 morrer é não viver com o coração em guerra
 sempre, com o amor a palpitar...

. rosamar

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Ventania...


Ventania
O vento sussurra-me algo ao pé do ouvido
Mas sei que não me amas Ainda!
– Falo-me com esperança
De um dia ser eu o teu amor
E mesmo que eu entendesse as cantigas do vento
Saberia que em nada seria declarações
Mas, ah! Se eu pudesse falar a língua dos ventos
Teria a audácia de mandar-te um beijo a mais.

Natani Risorim

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Terra ensina-me...


Terra, ensina-me a quietude, como a relva é silenciosa pela luz.
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes em seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve seu bebê.
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo.
Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu.
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no outono.
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo, como a neve que derrete esquece sua vida. 
Terra, ensina-me a lembrar da bondade, como os campos áridos choram com a chuva.

 "UTE" Philip Novak

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Maria Dilar



O destino une e separa.
Mas nenhuma força é grande o suficiente
para fazer esquecer pessoas
que por algum motivo
um dia nos fizeram felizes....

domingo, 5 de novembro de 2017

A chuva...



A chuva!
 Não mata mais molha
 O amor! Não se vê, sente-se.
 A amizade! Não se compra, constroi-se
. E pessoas como voce!
 Não se esquecem, guarda-se no fundo do coração.

 Andrade Guilherme Abraham
 imagem google