sábado, 14 de outubro de 2017

O tempo...


Passei uma vida olhando para o tempo
 como se ele fosse um inimigo íntimo
 a contar sorrateiro seus minutos...
Descobri depois de aceitar sua doce companhia
que o tempo pode ser um curandeiro a curar feridas
 um amigo a contar histórias do tempo que já passou
e trazendo boas lembranças
 pode também ser uma criança passando alegre
 por entre os meus minutos com um sorriso de gente inocente...
 E de um inimigo descobri
o grande segredo do tempo: ter me feito melhor a cada momento.
E se me perguntassem
 se eu mudaria alguma coisa da minha história
 que o tempo levou?
 Eu não!
chamaria o tempo para tomar um café
e contar das coisas que ainda não vivi..."

( Carol Werneck )

domingo, 8 de outubro de 2017

Os meus olhos...


Se os olhos são a janela da alma
meu olhar se fez vazio
a luz dos olhos meus brilharam na escuridão.
 sou plural,
feito de solidão.

 Robinson Badin

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Beijar-te ao relento.


Visto-me de estrela hoje
 para te apreciar a noite inteira
 Por vezes visto me de lua
 para entre fresta da janela
 te admirar nua
 Já  me vesti de escuridão
 em momentos de solidão.
 Mas adoro mesmo
me vestir de vento
 para te beijar ao relento!

 Sergio Fornasari

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Em nome dos que choram...


Em nome dos que choram
 Dos que sofrem
 Dos que acendem na noite o facho da revolta
 E que de noite morrem
 Com a esperança nos olhos e arames em volta.
 Em nome dos que sonham com palavras
 De amor e paz que nunca foram ditas
 Em nome dos que rezam em silêncio
 E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas
 Em nome dos que pedem em segredo
 A esmola que os humilha e os destrói
 E devoram as lágrimas e o medo
 Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
 Numa cama de chuva com lençóis de vento
 O sono da miséria, terrível e profundo,
 Em nome dos teus filhos que esqueceste,
 Filhos de Deus que nunca mais nasceste,
 Volta outra vez ao mundo!

ARY DOS SANTOS

domingo, 3 de setembro de 2017

À Espera dos Bárbaros


O que esperamos na ágora reunidos?
 É que os bárbaros chegam hoje.
 Porquê tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
 É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

 Porquê o imperador se ergueu tão cedo
 e de coroa solene se assentou em seu trono, à porta magna da cidade?
 É que os bárbaros chegam hoje.
 O nosso imperador conta saudar o chefe deles.
 Tem pronto para dar-lhe um pergaminho no qual estão escritos muitos nomes e títulos.
 Porque hoje os dois cônsules e os pretores usam togas de púrpura,
 bordadas e pulseiras com grandes ametistas e anéis com tais brilhantes e esmeraldas
 Porque hoje empunham bastões tão preciosos de ouro e prata finamente cravejados?
 É que os bárbaros chegam hoje, tais coisas os deslumbram.
 Porque não vêm os dignos oradores derramar o seu verbo como sempre?

 (Trecho de À Espera dos Bárbaros, de Konstantinos Kaváfis.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Poema azul


 O mar beijando a areia
O céu e a lua cheia
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu
 E a lua cheia

Que prateia os cabelos do meu bem
 Que olha o mar beijando a areia
 E uma estrelinha solta no céu
Que cai no mar
 Que abraça a areia
 Que mostra o céu e a lua cheia um beijo meu

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 12 de agosto de 2017

Quando as dores são inevitáveis...


Que as dores são inevitáveis, todo mundo sabe.
Tem fases em que o riso não sai
 a fé fica pequenina - ou até mesmo nula
 e a nossa força se esgota.
 Cada um reage de um jeito nestas crises...
Alguns soltam as lágrimas para aliviar
outros em uma tentativa de se afogar.
Alguns buscam outras saídas, sejam elas fugas
 ou um jeito mais leve de lidar com a vida.
Eu costumo mergulhar fundo na escuridão.
 Tranco a porta, fecho a janela
 e deito a cabeça no travesseiro
 de uma forma que o ouvido fique tampado
 para eu não escutar o barulho lá de fora
(e muito menos o daqui de dentro).
 É aí que eu percebo que não tem jeito:
não consigo silenciar o que magoa o meu peito.
 Afinal, após toda aquela tempestade escura
 sei que o sol também sempre vai voltar
 para me refazer e (de novo) me iluminar...

Beatriz Zanzini

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Maria Dilar



Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

domingo, 6 de agosto de 2017

Nossos verdadeiros amigos...


Toda a forma de vida é uma manifestação de Deus
 e está sob os nossos cuidados.
Proteja o que é seu - sua fauna sua flora.
As plantas e os animais embelezam a terra.
 São úteis ao homem e representam a riqueza da Pátria
. Nunca se deve mutilar, destruir ou deixar que destruam estes bens
. Vamos amar nossos animais domésticos.
 Vamos dar aos selvagens a paz que eles têm direito.
Permitamos que enfeitem nossas florestas.
 Vamos amar os pássaros puros e belos
 cantando nas ramagens, voando alegres
no espaço ilimitado, como verdadeiros símbolos de liberdade!

 São Francisco de Assis

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Rosas vermelhas



Uma vida florida...
Rosas vermelhas...rosas rosas.
 Perfumadas...faceiras.
Abertas ou em botão.
 Vivas como a vida!
 Em constante movimento
... Ah...se possível fosse
que bom seria,ser uma delas !
 Alias,como num pulo mágico
podemos ser, sim... Basta sonhar!!!

Berenice Pasin
imagem google

domingo, 30 de julho de 2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ultimo soneto!


Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
 Se me dói hoje o bem que me fizeste
 É justo, porque muito te devi.
 Em que seda de afagos me envolvi
 Quando entraste, nas tardes que apareceste
 Como fui de perca quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
 Pensei que fosse o meu o teu cansaço
 Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
 E fugiste... Que importa ?
Se deixaste a lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a cor se trava?...

 Paris - Dezembro 1915
 Mário Sá-Carneiro